… com alguém que eu não conheço, mas de quem já gosto.
Escolheu seu príncipe e está feliz. Fui apresentada a ele, e ele a mim, por zoom. Tempos modernos, esses! Têm minha bênção – a minha e a do Universo que, segundo minha espiritualizada filha, se nos deixarmos levar, nos mostra o caminho da felicidade. Não resistir é um aprendizado. Tenho praticado, mas é difícil. A gente sempre acha que sabe o que quer…
No dia dois de março de 2020 despedi-me dela no aeroporto com um abraço apertado. Meu lado racional gritava que não era hora de partir para a Ásia, onde a pandemia já fazia seus estragos, mas sua vontade e determinação, e meu coração de mãe, que já começava a praticar o “confiar e entregar para o universo” ensinado por ela, me impedia de abortar seu sonho e todo seu trabalho envolvido na preparação da viagem.
Minha filha partia para a Tailândia para finalizar sua formação na prática da ioga, apenas mais uma de suas muitas formações. Voltaria em sessenta dias. Se naquele momento eu soubesse que ficaríamos distantes por mais de setecentos e oitenta dias eu a teria prendido em casa e impedido de viajar. Por sorte eu não sabia.
Com a pandemia, agora espalhada pelo mundo, ela decidiu alongar sua estadia. Vivia protegida numa ilha da Ásia distante do flagelo que grassava no mundo, o que apaziguava minha saudade e diminuía a preocupação. Já professora, praticava ioga e dava aulas em healing centers e online. Se sustentava.
Conheceu pessoas, mudou de ilha, conheceu o sueco Marvin, voltou para a primeira ilha. Juntos começaram uma nova vida. Mudou-se novamente, para o continente ao norte do país, como um caracol que carrega a casa nas costas. Na verdade, precisava de pouca coisa e tudo de que não precisava mais ia deixando pelo caminho – um desprendimento que eu também preciso praticar.
Passei a ter aulas de ioga online para estar com ela e compartilhar momentos de sua vida, e essa prática mudou a minha. Troquei a sala da academia por qualquer lugar do mundo onde eu esteja – basta que tenha comigo um tapetinho. Melhorei a respiração e a concentração. E o corpo, mais elástico, agradece. E eu agradeço à minha filha.
Agora sou eu quem vai em sua direção. Seu companheiro a pediu em casamento e se casarão na Suécia, e depois, mais adiante, no Brasil. Vou finalmente conhecer meu futuro genro e abençoar de perto essa união. Mais do que isso: vou finalmente abraçar minha filha quase dois anos e meio depois daquele abraço no aeroporto, com a garantia, dada por ela, de que nunca esteve tão feliz. E eu também. Feliz por nós duas.