(Um texto em versos, sem muito ritmo, mas muita fé)
O que faz desse povo brasileiro um autodidata na arte de sambar?
De onde vem esse jeito matreiro que a gente reconhece só de olhar? Terá sido a ginga adquirida na viagem daquele que, por mar, nos veio colonizar?
Ou será a herança do molejo do escravo que aqui veio sofrer e suar?
Não se sabe a origem da folia, o que é certo é que ela aquece o coração
de um povo que transforma em alegria
a dor de um duro dia a dia,
e que transmuta o sofredor em folião.
Ao sambar ele despe a realidade e veste a fantasia,
esquece a tristeza e cai na folia até o raiar do dia,
qualquer que seja sua condição: jovem, velho, criança, estudante, empresário, vendedor ou feirante.
Nessa hora ele não pensa em dinheiro, afinal, é fevereiro!
É carnaval! E ele é brasileiro.
Finalmente, quando chega a quarta feira, e com ela a realidade na esteira,
está na hora de juntar o que sobrou da fantasia
que foi pisada e se rasgou,
de catar o confete e a serpentina
que ficou esparramada e acabou sendo varrida
sem deixar rastro na calçada.
Sim, a vida continua e, do carnaval, não resta nada.
Junto com a lembrança do que foi vivido,
dos beijos dados, recebidos ou não havidos,
do que foi bom e do que foi doído,
fica a certeza de que valeu a pena
tirar a realidade de cena
e ter vivido a fantasia
de ser rei ou princesa por um dia, ou melhor, por todos os dias enquanto durou o carnaval.
Outra certeza que deve ser guardada
junto com a esperança, essa guerreira,
é que este ano será melhor do que aquele que passou,
e que se acabou na quarta feira.
E, quando nada mais nos resta, há a fé que não nos pode ser tirada,
de que ano que vem tudo recomeça: a farra, o samba, a festa, a noitada!
***
Gosto de rima, de ritmo e de samba, gosto do batuque, da percussão e do carnaval. Sou brasileira, minha ancestralidade é uma mistura e não sei de onde vem minha fé ou meu dom, só sei que escrevo, acredito e danço, e já não me importa se bem ou se mal!